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Qualidade De Vida E Capitalismo: A Prova De Que Seu Professor De História Está Errado!

Por Woods, 02 de junho de 2017

Gostaria que dessem uma olhada, por cima, nas duas listas abaixo e reparassem o que há em comum em ambas. Não precisa ser um maluco, como eu, viciado em rankings e mapas, que leria um a um, apenas uma olhada rápida já é o suficiente:

 

LISTA 1                                                                                LISTA 2

1. Noruega                                                                      1. Hong Kong

2. Austrália                                                                     2. Singapura

3. Suíça                                                                         3. Nova Zelândia

4. Alemanha                                                                   4. Suíça

5. Dinamarca                                                                  5. Austrália

6. Singapura                                                                   6. Estônia

7. Holanda                                                                      7. Canadá

8. Irlanda                                                                        8. Emirados Árabes

9. Islândia                                                                       9. Irlanda

10. Canadá                                                                     10. Chile

11. EUA                                                                          11. Taiwan

12. Hong Kong                                                                12. Reino Unido

13. Nova Zelândia                                                           13. Geórgia

14. Suécia                                                                     14. Luxemburgo

15. Liechtenstein                                                            15. Holanda

16. Reino Unido                                                               16. Lituânia

17. Japão                                                                        17. Estados Unidos

18. Coréia do Sul                                                             18. Dinamarca

19. Israel                                                                        19. Suécia

20. Luxemburgo                                                              20. Letônia

 

Imagino que devem ter percebido que vários países estão na lista 1 e na lista 2, mas o que são ambas as listas? Pois bem, a lista 1 é a lista dos países com maior IDH (índice de desenvolvimento humano), ou seja, países com melhores condições de educação, saúde, segurança, com maior expectativa de vida, menor mortalidade infantil etc. Já a lista 2 se refere aos países com maior liberdade econômica, ou seja, mais capitalistas, com menos “direitos” trabalhistas, com respeito à propriedade privada, com mais privatizações e menos monopólios estatais, com previdência saudável, com inflação sob controle, com tributação mais baixas para empresas, com menos burocracia para abrir e fechar empresas, com trabalhos terceirizados, com menos impostos e barreiras para importar produtos etc., enfim, tudo aquilo que os sindicatos e partidos de esquerda são contra. Os dados do IDH foram retirados da ONU e os de liberdade econômica da Heritage World Foundation.

Na verdade dos 20 países de ambas as listas, 13 se repetem, o que mostra que liberdade econômica está conectada com desenvolvimento humano. Alguns países como Noruega e Alemanha, que aparecem bem colocadas no ranking de IDH, aparecem em 25º e 26º respectivamente no índice de liberdade econômica. Já o Chile, em 10º no índice de liberdade econômica, aparece em 38º no ranking de IDH, o melhor da América Latina, de fato espera-se que o Chile seja declarado um país desenvolvido até o final de 2018. Alguns outros países que adotaram medidas liberais – ou neoliberais, como os partidos de esquerda gostam de chamar pejorativamente –, nos últimos anos, vem colhendo frutos e avançando a passos largos no IDH, em alguns anos estarão também entre os melhores colocados no ranking de IDH se as políticas forem mantidas. Também é óbvio que não é apenas a liberdade econômica responsável por IDH alto, existem fatores geográficos, culturais, históricos etc., que contribuem, porém a relação entre desenvolvimento e liberdade econômica é muito clara. Se pegarmos ambas as listas e analisarmos os últimos países em IDH e os últimos em liberdade econômica, o resultado será exatamente o mesmo de analisarmos os do topo. Também é fato que se eu tivesse colocado o ranking dos países com menos corrupção, também seria muito parecido com o ranking dos países com maior liberdade econômica, pois quanto mais liberdade econômica, menor interferência do Estado e menos “tetas” para os políticos “mamarem” e menos “veias” para empresários vampiros “sugarem”.

Alguns devem estar se perguntando, onde está o Brasil nessas listas? Já outros leitores mais desavisados ou com viés mais socialista ou de esquerda, estão pensando que o neoliberalismo brasileiro no governo FHC não funcionou para nos levarmos ao desenvolvimento etc. Pois bem, o Brasil se encontra em 79º em IDH e em 140º em liberdade econômica e vem caindo em ambos os rankings depois de 13 anos de governos do PT. É possível que se aprovadas as reformas da previdência e trabalhista venhamos a subir um pouco no índice de liberdade econômica, porém até subir no IDH o resultado é um pouco mais lento. Nos governos FHC, houve um aumento da liberdade econômica, embora ele ainda foi muito tímido e mesmo assim refletiu na melhoria das condições de vida da população, reflexos das reformas implementadas nesse governo foram sentidas até o segundo governo Lula, quando este começou a ter um viés mais esquerdista nacionalista da economia, o que nos custou caro e essa é a conta que estamos pagando agora. O Brasil está longe de ser um país capitalista, mesmo durante os governos FHC as reformas, as privatizações etc., foram muito tímidas e não foram continuadas nos governos subsequentes. Como disse o falecido senador Roberto Campos: “o Brasil está tão longe do capitalismo, como a Terra esta da constelação de Ursa Maior”. Esse capitalismo de compadres, que existe no Brasil, onde umas poucas empresas conseguem favores políticos, é muito distante do que é o capitalismo de livre mercado, onde empresas concorrem em igualdade de condições e o Estado, ou o governo, interferem minimamente em suas atividades, deixando-as atuar livremente.

Há de se entender que reformas de liberalização econômica não dão reflexos na qualidade de vida da população de uma hora pra outra, porém não há milagres em política econômica e o caminho da liberdade econômica e da prosperidade devem ser trilhadas o quanto antes, sem desvios pelo meio do caminho (como foi nosso caso), pois essa “vontade política” de fazer um país se desenvolver de um dia pro outro, aumentando a dívida e injetando dinheiro na econômica descontroladamente, acaba dando um resultado positivo no curto prazo mas no médio e longo prazo a conta chega salgada, o que foi exatamente o que aconteceu com o Brasil, especialmente a partir do segundo mandato do Lula. No caso do Chile, por exemplo, o processo de abertura econômica foi aplicado, até mesmo de forma violenta, no governo do ditador Augusto Pinochet nos anos 70/80 e as reformas, feitas por ele, foram respeitadas até mesmo durante os “governos de esquerda” e o resultado, depois de algumas décadas, não poderia ser outro além do desenvolvimento – não estou defendendo o governo Pinochet ou justificando as atrocidades cometidas por ele, apenas constatando um fato.

Aquele seu professor de história, comunista até os ossos, que diz que o capitalismo explora os mais pobres e só interessa aos ricos, pode ter lhe dito que países como a Suécia, Dinamarca ou Noruega são exemplos de países socialistas que deram certo. Na verdade não há nada mais ridículo que esse argumento, pois esses países eram extremamente pobres até adotarem políticas de abertura econômica, se tornando liberais ao extremo e, posteriormente, a partir do anos 70/80 adotaram políticas de bem estar social (social democrata), com maior intervenção do Estado na economia. Políticas essas que, em partes, já está sendo revertidas devido aos anos de estagnação econômica, além do fato de eles terem adotado essas políticas depois de já serem países ricos, porém, mesmo assim, eles ainda se encontram no topo dos países com liberdade econômica.

Da próxima vez que seu professor de história, ou qualquer outra pessoa, vier com o argumento de que as reformas trabalhista e da previdência visam privilegiar as elites, tirando direitos do trabalhadores etc., que o capitalismo é um câncer que apenas privilegia os mais ricos e deixa os pobres cada vez mais pobres, pergunte a ele quais países socialistas, com grande intervenção do Estado na economia, que deram certo? Ele vai gaguejar e te dizer que o socialismo verdadeiro nunca foi aplicado ou vai usar a Suécia como exemplo, além de dizer que o capitalismo que não deu certo, então você mostre a ele ambas as listas e peça para que ele as explique! Apesar de todas as besteiras sem fundamento no mundo real que ele irá dizer, entenda que contra fatos não há argumentos, porém, infelizmente, no nosso país, muitas vezes o discurso “bonito” e politicamente correto do socialismo e da igualdade se sobrepõe aos resultados práticos existentes mundo afora.

Quando você se sente cansado do Brasil e pensa em procurar um novo emprego em um novo país, você pensa em imigrar pra Austrália, EUA, Canadá ou pro Zimbabwe, Eritréia, Turquemenistão? É claro que você irá escolher os países mais capitalistas, ao invés dos menos, então por que muitos de nós – inclusive muito daqueles que imigram atrás de melhores condições de vida – desejamos ao nosso país algo diferente daquilo que procuramos nos países mais desenvolvidos? Por que desejamos mais “direitos” e depois imigramos praqueles países com “menos” direitos? Talvez seja o momento de lutarmos por mais liberdade econômica e menor interferência do Estado – e em consequência dos políticos – em nossas vidas, virarmos, de fato, livres!

 

 

 

 

* O texto reflete a opinião dos autores. 

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